Texto das orelhas de “O tira na cabeça e outras formas de repressão: ouvir a própria voz e ver através da janela”, de Valdinar Monteiro de Souza
Um texto curto, escrito em prosa, que narra fatos banais do cotidiano. Assim se define, ligeiramente, o gênero crônica.
Para um leitor inadvertido, tal acepção pode sugerir algo pouco expressivo, quando, na verdade, a leveza da composição não é capaz de diminuir o entusiasmo e a paixão do autor. Derivada do grego khronos – tempo – a crônica tem caráter efêmero por natureza e, pelo mesmo motivo, torna-se um convite à reflexão sobre a existência humana.
Assim, nas páginas de O tira na cabeça e outras formas de repressão: ouvir a própria voz e ver através da janela, meu querido amigo Valdinar, advogado e letrólogo, percorre uma multiplicidade de temas triviais – o tempo, a alegria, a linguagem, a solidariedade, a política, a mudança, entre tantos outros –, às vezes com lirismo, outras, com erudição, mas sempre nos conduzindo a um estado contemplativo.
Como descrever o encanto de um "Ligeiro meditar de uma bela manhã ensolarada"? Tal como a fotografia da Terra tirada pela Voyager ao sair do sistema solar – pálido ponto azul (Pale Blue Dot) – o escritor nos aponta, por um lado, a pequenez e a finitude do ser humano e, por outro, o privilégio de ser criatura.
Discorrendo sobre a alegria de ver um filho na escola, quando este poderia ter perecido, ou sobre uma cena cômica observada em uma feira livre, Valdinar vai emendando um assunto no outro, numa rapidez de pensamento característica dos bons cronistas que, ao transformar o ordinário em extraordinário, ganham o afeto do leitor.
Se Machado de Assis escrevia para atar as duas pontas da vida, Valdinar escreve para atar as pontas do cotidiano, repleto de pequenas ponderações, afloradas entre uma tarefa e outra, a partir dos fragmentos de certezas e ilusões impostas por cada subjetividade humana.
Joseilde Maria Teles
Licenciada em Letras, mestre e doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo. Professora do Centro Universitário Senac – Campus de Santo Amaro (São Paulo – SP).——
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 07/05/2026
Alterado em 14/08/2026