No princípio, era o Verbo, era a Palavra
Um aviso aos desavisados e afoitos de plantão. Ainda não sou versado em grego como gostaria de ser. Nem quero aqui mostrar erudição. Simplesmente gosto da língua grega, razão por que tenho duas edições diferentes do Novo Testamento em grego, além de alguns outros livros e da obra completa de Platão nessa língua. Ninguém, pois, por favor, me censure nem se agaste. Não me reprochem, como diria Machado de Assis. Não é o meu objetivo aborrecer ou chatear a quem quer seja. Acho bonita, lindíssima, a língua grega e tenho acesso ao texto grego – que sei ler. Sei bem o que estou transcrevendo. E não faz mal transcrever, de vez em quando, palavras ou expressões gregas, desde que dentro contexto. É só isso.
“No princípio, era o Verbo” (“Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος”), primeiras palavras de O Santo Evangelho Segundo S. João, como o chama a Edição de 1995, uma das muitas versões da tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida. Usei essa versão propositadamente, por causa da vírgula após a palavra “princípio”, pois essa vírgula é de rigor gramatical, conquanto, por questão de estilo, seja omitida na maioria das versões consultadas. Aliás, como aí se vê, a vírgula também é omitida no texto grego. Poder-se-ia dizer, enfim, que essa vírgula é facultativa, uma vez que, com ou sem a vírgula, o sentido não se altera.
Aí, a palavra grega “logos” (“λόγος”), traduzida em português por “Verbo” ou “Palavra”, se refere a Jesus Cristo, o Filho de Deus, que é a segunda pessoa da trindade, que estava no princípio com Deus e que é Deus. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (“Καὶ ὁ λόγος σὰρξ ἐγένετο καὶ ἐσκήνωσεν ἐν ἡμῖν”), assim diz a primeira parte do versículo 14 do capítulo 1. Jesus Cristo é o Verbo ou a Palavra, Deus, que se fez carne e habitou entre nós, na Terra. Para quê? Para a salvação de seu povo. Que bênção, que mistério, que graça! Isso, contudo, é questão de fé. Há quem não creia. E eu respeito. Vai morrer quem tem fé, assim como morrerá quem não a tem. A diferença está na esperança.
O texto completo de João 1.14, na referida versão da Edição de 1995 (Jo 1.14, ARC 1995, como abreviamos na linguagem bíblica), é: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” Em outras palavras, a Palavra se fez carne e habitou entre nós. “Há homens paridos pela Terra, que a respeitam como mãe. Estes conhecem o Verbo que se faz carne...” (Ataualpa A. P. Filho, “O Antônio na roda”, Diário de Petrópolis, 24.3.2026). As reticências são do original e o nome por extenso do autor é Ataualpa Antônio Pereira Filho, lá de Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Pois bem, já vou concluir. Dois textos me fizeram, com gratidão ao Verbo eterno, escrever esta crônica. É, à minha maneira, uma homenagem ao amigo Antônio Torres, imortal da Academia Brasileira de Letras, o qual me enviou a crônica de Ataualpa Filho, ao cronista Ataualpa Filho e a Gabriel Chalita, que, na mensagem de hoje, 7 de abril, do seu Calendário filosófico: para viver melhor, diz: “A palavra tem fascinantes poderes. Quando bendita, ilumina o mundo de fora, aquece o mundo de dentro.” Antônio Torres, Ataualpa Filho e Gabriel Chalita são profissionais da palavra. É, portanto, um prazer a leitura das palavras deles.
Enviado por Valdinar Monteiro de Souza em 07/04/2026
Alterado em 07/04/2026